Número de eventos a céu aberto em Belo Horizonte dobra desde 2008

De janeiro a agosto deste ano, foram 738 produções em parques e praças da Regional Centro-Sul; em igual período de 2008,  produções não passaram de 372

A ocupação de parques, ruas e praças de Belo Horizonte para realização de eventos culturais tem sido cada vez maior. Levantamento da Administração Regional Centro-Sul, onde se concentra a maioria dos espaços requisitados para a realização das produções culturais locais e de fora da cidade, não deixa dúvidas de que o espaço público em Belo Horizonte tem servido cada vez mais ao lazer e ao divertimento da população. De janeiro a agosto deste ano, ocorreram 738 eventos liberados pela Centro-Sul. Comparado ao mesmo período de 2011, o número representa um aumento de 57% na quantidade de produções artísticas ao ar livre. Se forem considerados os índices que Belo Horizonte registrava em 2008, ano anterior ao início da gestão Marcio Lacerda, o aumento das produções se revela ainda maior. A cidade praticamente dobrou em volume de eventos em praças e parques. Em oito meses daquele ano, foram 372 produções.

Alguns desses eventos já estão consolidados e agora fazem parte do calendário cultural da capital como o FIT (Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua) e o Arraial de Belô (concurso de quadrilhas juninas da Belotur). Isso sem contar os festivais de música como Conexão Vivo, Savassi Jazz, I Love Jazz e Festa da Música. As comemorações de colônias estrangeiras, que têm atraído um público crescente em busca da gastronomia e da cultura típicas de outros países são outros importantes exemplos. Em junho passado, quando aconteceu a sexta edição da Festa Italiana na Savassi, 80 mil pessoas aproveitaram um domingo inteiro com a avenida Getúlio Vargas, palco da festa, fechada ao trânsito e se divertiram ao som de música ao vivo, muita alegria e total tranquilidade.

A coordenadora geral do evento, Raquel Mendes, conta que a parceria com a Prefeitura da capital tem sido muito importante para o sucesso da festa, que caiu no gosto da cidade. "A gente entende os trâmites que são necessários para se fechar uma avenida. Por isso, procuramos apresentatar toda a documentação com bastante antecedência. Nunca tivemos problema", comenta a produtora, que tem nas estatísticas a comprovação de que o evento é um marco nas produções culturais a céu aberto em Belo Horizonte. As 12 mil pessoas que prestigiaram a festa italiana, em 2008, se transformaram num público gigantesco de 80 mil, em 2012. As pessoas se divertem, apreciam a comida e a música típicas da Itália e, em troca, fazem doações de alimentos não-perecíveis.

Outro bom exemplo dessa "nova geração" de eventos a céu aberto na capital é o recém-criado BH Fashion Music, cuja primeira edição aconteceu no fim de agosto. A festa reuniu desfiles de moda e shows musicais numa agradável tarde de sábado, na rua Antônio de Albuquerque, também na Savassi. "Sempre há dificuldades com relação aos patrocínios. Mas com relação à abertura para chegar e efetivar o evento, a gente teve total apoio da Belotur e da Prefeitura", conta Kaiser Henrique Alves, produtor do BH Fashion Music.

A designer Cristiane Souza, que aproveitou o sábado de moda e música na Savassi, afirma que sempre participa de eventos gratuitos nas ruas e praças. A agenda, diz ela, tem sido extensa ultimamente. "Ultimamente, Belo Horizonte está com muitos eventos. Quem não sai de casa é porque não quer", brinca.

A musicista Tamara Teixeira é outra que se divertiu no BH Fashion Music. Ela defende que os projetos sejam cada vez mais divulgados. "Hoje foi até uma surpresa pra mim. Eu estava almoçando aqui perto quando soube do evento. Aí, compramos os alimentos e entramos com a galera", contou ela se referindo à troca de alimentos não-perecíveis pelo ingresso, prática bastante comum nos eventos dessa natureza na cidade.

O músico belo-horizontino Alê Magalhães, que já se apresentou em eventos abertos ao público, aprova a iniciativa e considera que tem havido mais eventos ao ar livre em Belo Horizonte. Isso, segundo Magalhães, tem ajudado a valorizar a capital mineira sob o aspecto da cultura. "Quando viajo, as pessoas falam comigo como aqui melhorou, como aqui cresceu nesse sentido".

O gestor de pesquisas Caio Marinho é frequentador de eventos de rua em Belo Horizonte. Ele defende maior diversidade temática e elogia a qualidade de produção e acomodação do público nos eventos que prestigiou. "A qualidade tem crescido. Tem sido bem melhor", diz ele citando o maior número de banheiros químicos e mais espaço para o público. Marinho credita essa evolução ao entrosamento entre produtores e poder público. "Trabalho com impacto ambiental e sei que não é uma simples licença que vai liberar um evento. É preciso toda uma engenharia de trânsito, de mercado. Nesse caminho, a prefeitura está seguindo muito bem".

 

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